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Igreja mundial · 7 de outubro de 2026

Igreja é instigada a buscar novos caminhos através da inspiração de São Francisco

a person with the hands up in the air in front of a crowd
NATHAN MULLET / Unsplash

A Igreja Católica enfrenta questionamentos sobre a coragem de buscar novas direções enquanto lida com questões organizacionais, problemas de pessoal e o combate a escândalos. O irmão Markus Fuhrmann, superior dos franciscanos alemães, afirma que São Francisco de Assis continua a propor perguntas desconfortáveis à instituição, mesmo após 800 anos de sua morte.

Segundo o religioso, a Igreja necessita atualmente de um reavivamento espiritual, maior abertura à diversidade e coragem para explorar novas formas de atuação. Fuhrmann argumenta que a força de Francisco residia na capacidade de unir o retorno às fontes do cristianismo com a disposição para encontrar novas soluções, movido por uma tensão inspirada pelo Espírito Santo.

O superior destaca que Francisco não utilizou palavras para criticar a Igreja de sua época, mas apresentou uma alternativa através de seu próprio modo de vida. Ao abandonar um ambiente rico e encontrar sua vocação após o encontro com um leproso, ele descobriu um Deus que se aproxima do ser humano e se coloca em pé de igualdade com ele, o que o levou a uma mudança radical em direção ao Evangelho, optando pela pobreza e pela mobilidade.

Para o religioso, a Igreja contemporânea enfrenta um desafio semelhante: retornar à sua essência, centrada em Cristo e no Evangelho, enquanto busca novas formas de agir. Ele alerta que a energia consumida por divisões de competências e questões administrativas pode obscurecer o objetivo principal, questionando se a instituição realmente vive a fé e se Cristo permanece no centro de suas atividades.

Sobre a espiritualidade franciscana, Fuhrmann adverte contra a redução desse pensamento apenas à ecologia. Embora a preocupação com a criação seja central, ela deriva da convicção de que tudo provém de Deus. Ele esclarece que Francisco não identificava Deus com a natureza, mantendo a divindade como alguém distinto e que transcende a criação.

O religioso observa que a consciência de que a humanidade pertence a uma única comunidade global seria um ponto de esperança para Francisco, apesar de guerras e crises ecológicas mostrarem que essa percepção nem sempre se traduz em ações concretas.

Refletindo sobre a trajetória de Francisco, Fuhrmann nota que o santo teve que lidar com as limitações de seus ideais, pois a comunidade que criou nem sempre funcionou como imaginado, tornando-se gradualmente uma instituição. O religioso sugere que a Igreja atual, marcada por disputas e polarizações, deve aprender a permanecer fiel ao bem sem cair no fundamentalismo, mantendo a abertura ao próximo e evitando a crença de que apenas a própria forma de pensar é aceitável.