Igreja mundial · 8 de novembro de 2026
Teologia enfrenta cegueira ao tratar mal, pecado e morte como separados
A teologia cristã enfrenta uma limitação fundamental ao tratar o mal, o pecado e a morte como entidades distintas, quando a Escritura aponta para uma raiz comum. Essa falha de percepção, descrita como um ponto cego, impede a compreensão da origem do mal e compromete a clareza do evangelho. O autor argumenta que a razão humana tem limites e que a teologia precisa superar premissas inconscientes para avançar.
A razão humana só alcança o que pode ser experimentado, tornando impossível conhecer o mundo pós-morte por meios racionais. A Bíblia, no entanto, descreve realidades inexperimentáveis, levando os seres humanos a interpretar esses textos com suas próprias imaginações. Isso gerou diversas interpretações sobre Deus, como a visão de Jó, que questionou a justiça divina ao ver o sofrimento como punição pelo pecado. A Escritura refuta essa abordagem, afirmando que a sabedoria do mundo é tola diante de Deus e que a salvação vem pela pregação, não pela razão humana.
O ponto cego da teologia reside na premissa inconsciente de que o mal, o pecado e a morte são separados. Essa visão surge da experiência humana: o mal é visto como dano social, o pecado como arrependimento interno e a morte como fim ou perda. Essa experiência torna-se um padrão humano que fixa essas categorias como distintas. A teologia, seguindo esse padrão, busca origens separadas para cada uma: a ausência de bem para o mal, a livre vontade para o pecado e a punição para a morte.
A Escritura, porém, ensina que o mal, o pecado e a morte compartilham a mesma raiz: afastar as pessoas de Deus. O mal separa do Deus bom, o pecado do Deus justo e a morte do Deus da vida. Assim como a planta de brócolos e a dente-de-leão podem ter aparências diferentes mas crescer da mesma raiz, essas três realidades têm origens comuns. A teologia, ao ignorar essa conexão, entra em um labirinto de debates estéreis, semelhante a engenheiros que discutem como remover um caminhão preso em um túnel sem considerar a solução simples de desinchar os pneus.
A origem do mal é um movimento interno que separa a pessoa de Deus. Esse movimento não é um defeito moral, mas uma força que se opõe à natureza de Deus, que é amor. O amor de Deus busca unir as pessoas a Ele, enquanto o mal busca afastá-las. A Escritura define o bem como a essência de Deus, expressa em hebraico por tov e em grego por agathos, ambos usados como predicados de Deus. O bem é, portanto, o amor que conecta as pessoas a Deus, dando-lhes vida e abundância.
A teologia precisa abandonar a abordagem racional e basear-se na Escritura para compreender a origem do mal. Isso exige uma leitura que interprete as palavras da Bíblia pela própria Bíblia, sem recorrer a inferências filosóficas. A origem do mal não é a livre vontade ou a ausência de bem, mas um movimento que se opõe ao amor de Deus. A teologia deve reconhecer esse ponto cego e corrigi-lo para que a verdade do evangelho seja claramente compreendida.