Igreja mundial · 24 de setembro de 2026
Papa pede que inteligência artificial seja transformada em ferramenta de paz
O Papa enviou uma mensagem ao simpósio Ai4Peace, realizado na Pontifícia Universidade Lateranense, solicitando que a inovação tecnológica seja convertida em instrumentos de paz.
O evento, ocorrido entre 20 e 22 de setembro, reuniu tecnólogos, pesquisadores, operadores de paz e responsáveis políticos. O objetivo do encontro foi explorar como a inteligência artificial pode auxiliar na construção de um mundo mais seguro, justo e pacífico, promovendo o diálogo interdisciplinar e o desenvolvimento de soluções para a segurança global.
No texto lido pelo chanceler da Pontifícia Academia para a Vida, o Papa afirmou que o desenvolvimento da inteligência artificial exige uma visão baseada na caridade e na sabedoria. Ele defendeu que o progresso tecnológico deve servir à dignidade humana e fortalecer os vínculos da família humana, incentivando a reconciliação e a solidariedade entre os povos.
O presidente da Pontifícia Academia para a Vida, Renzo Pegoraro, destacou que a paz é fundamental para a defesa da vida e a construção de relações de confiança. Ele alertou que, embora a humanidade possua recursos tecnológicos para cuidar da casa comum, essas mesmas ferramentas podem gerar novas ameaças e divisões, especialmente em contextos de conflito.
Francisco Rojas Aravena, presidente da Universidade para a Paz das Nações Unidas, afirmou que a inteligência artificial está atualmente mais próxima da guerra do que da paz. Ele argumentou que a tecnologia e as redes sociais criam polarizações e organizações sectárias, ressaltando a necessidade de educar para uma ética de consciência humana.
Guilherme Canela Godoi, da Unesco, apontou que a inteligência artificial pode acelerar a resposta a desastres e melhorar as ciências climáticas, mas alertou para o alto consumo de água e energia, além da amplificação da desinformação climática. Ele mencionou que a dependência de poucas línguas nos sistemas de aprendizado pode tornar comunidades invisíveis e que notícias falsas e deepfakes prejudicam a confiança necessária para a paz. A Unesco defende que a inovação e os direitos humanos devem coexistir.