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Igreja mundial · 7 de outubro de 2026

Cristo morreu por todos: uma verdade que não admite cortes

A foggy street lined with bare trees
S K / Unsplash

No cerne da fé cristã, há uma afirmação simples, mas decisiva: Cristo morreu por todos. Não por poucos, não por um grupo seleto, mas por toda a humanidade. Essa convicção, profundamente enraizada nas Sagradas Escrituras e sustentada pela tradição da Igreja, é um dos pilares do Evangelho. No entanto, o uso de 'por muitos' na consagração do vinho no Missal continua gerando perplexidade e debate entre muitos sacerdotes e fiéis. A expressão 'por muitos' parece implicar que não é 'por todos', o que levanta a pergunta: Cristo não morreu por toda a humanidade? O Novo Testamento responde claramente: Cristo morreu por todos.

A explicação para a manutenção da expressão 'por muitos' na liturgia remete ao contexto semítico da linguagem bíblica. Nesse contexto, 'muitos' (polloi) não se opõe necessariamente a 'todos', mas pode incluí-lo, destacando a multidão sem estabelecer limites numéricos. Esse uso também aparece no Antigo Testamento. A questão não é apenas filológica, mas também pastoral. O linguagem não é recebido hoje como era há séculos, afetando a compreensão da liturgia. Para um crente contemporâneo, 'muitos' não soa como sinônimo de 'todos', mas como uma limitação. A liturgia deve ser fiel à tradição, mas também inteligível, capaz de comunicar sem equívocos.

Quando uma fórmula deixa de transmitir claramente seu significado, surge uma tensão que não pode ser ignorada. Afirmar que Cristo morreu por todos tem consequências concretas para a vida cristã. Todos possuem uma dignidade inviolável, e a Igreja anuncia o Evangelho a todos, sem exceção. A universalidade da redenção é o fundamento da missão. A fidelidade à tradição não consiste apenas em repetir fórmulas, mas em garantir que transmitam claramente a verdade central.