19 de setembro de 2026
Cardeal Koch: Ser seguidor de Cristo e ser antissemita é impossível
Na quarta-feira, 16 de setembro de 2026, o Cardeal Kurt Koch, Prefeito do Departamento para a Promoção da Unidade dos Cristãos, abordou a relação da Igreja com o povo judeu em uma entrevista. Esta discussão ocorre 60 anos após a publicação da declaração 'Nostra Aetate' pelo Concílio Vaticano II, que enfatiza a importância das raízes judaicas do cristianismo.
Koch destacou a necessidade de a Igreja reconhecer seu vínculo espiritual com os descendentes de Abraão, mencionando que a identidade católica está intrinsecamente ligada ao povo de Israel. A declaração 'Nostra Aetate' ressalta a herança espiritual comum entre judeus e cristãos, a qual deve ser lembrada e preservada tanto na catequese quanto na proclamação do evangelho.
Além disso, o cardeal mencionou os desafios que o diálogo judaico-cristão enfrenta devido aos conflitos recentes no Oriente Médio. Ele expressou a preocupação de que a solidariedade com as vítimas em Gaza não prejudique a amizade e o diálogo com o povo judeu. Koch enfatizou a importância de manter esse diálogo mesmo em tempos de dificuldades e mal-entendidos, conforme ressaltado pelo Papa Leão XIV.
Sobre o aumento do antissemitismo em todo o mundo, Koch afirmou que os cristãos têm o dever de combater essa tendência. Ele comparou a relação com o judaísmo à valorização da mãe em uma família, enfatizando que não se pode ser um bom membro da família sem amar e respeitar as raízes cristãs que emergem do judaísmo. Assim, o cardeal reafirmou que é impossível ser um seguidor de Cristo e, ao mesmo tempo, ser antissemito, uma posição que tem sido reiterada por todos os papas desde o Concílio Vaticano II.