Cultura e ideias · 23 de setembro de 2026
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Candidatos à presidência do Brasil disputam votos de fiéis pentecostais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu desafiante Flávio Bolsonaro buscam ativamente o apoio de eleitores indecisos, com foco especial nos membros das igrejas pentecostais, antes das eleições gerais de 4 de outubro. A disputa ocorre em um cenário onde ambos os candidatos aparecem praticamente empatados nas pesquisas de opinião. Mais de 30% dos eleitores do Brasil, a maior democracia da América do Sul, pertencem a igrejas pentecostais, grupo tradicionalmente conservador que pode ser decisivo nas eleições, nas quais serão renovados o cargo presidencial, o Congresso e dois terços do Senado.
Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe, adota uma postura agressiva em grandes eventos religiosos, como a Marcha para Jesus. Ele descreve a campanha eleitoral como uma guerra espiritual e menciona em todos os seus discursos a rejeição ao aborto. Em contraste, o presidente Lula aposta em termos como família e valores cristãos, embora afirme ser contra a mistura de política e religião. O atual mandatário evita temas controversos, como direitos reprodutivos e diversidade sexual, e destaca os resultados de seus programas sociais para atrair o eleitorado evangélico.
A religião já está profundamente inserida na política brasileira, com mais de 200 dos 594 membros do Congresso pertencendo oficialmente a igrejas pentecostais. Em 2021, Jair Bolsonaro nomeou o pastor André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal. Mendonça, que se apresenta como perseguido religiosamente diante de uma crise de corrupção envolvendo juízes, mobiliza a comunidade evangélica e exibe mensagens em vídeo durante eventos de campanha de Flávio Bolsonaro. Lula tentou pontuar com a nomeação do juiz Jorge Messias para o mesmo tribunal no final de 2025, mas o candidato foi rejeitado pelo Senado.
Movimentos como o Evangélicos com Lula e grupos regionais de apoio, criados em colaboração com líderes evangélicos, buscam engajar fiéis por meio de redes sociais, eventos e cartas abertas. Apesar desses esforços, a esquerda tem tido pouco sucesso nessa frente. Uma pesquisa do instituto BTG/Nexus mostra Flávio Bolsonaro liderando com 45% das intenções de voto entre esse grupo, contra 27% de Lula no primeiro turno. Analistas apontam que a crise no Supremo Tribunal Federal pode impulsionar o campo bolsonarista, embora não deva custar votos a Lula.
O impacto das recomendações de pastores sobre o voto diminuiu. Segundo o instituto Datafolha, cerca de 70% dos evangélicos não seguem mais as orientações de seus líderes religiosos. A pesquisadora Ana Carolina Evangelista, do instituto Iser, relata que os fiéis estão cansados de receber mensagens políticas durante os cultos. Em 2022, pastores pressionaram fortemente os membros a votar em Bolsonaro, mas esse efeito parece menor agora. No Brasil, quase um terço dos cerca de 213 milhões de habitantes pertence a igrejas pentecostais, que valorizam a relação direta com Jesus Cristo e o Espírito Santo por meio de orações intensas e cultos passionais.