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Igreja mundial · 9 de outubro de 2026

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Bispo do Quênia afirma que a Igreja deve atuar diretamente nas questões sociais da população

white and brown concrete building
Gene Gallin / Unsplash

O Bispo John Oballa Owaa, líder da Diocese Católica de Ngong no Quênia, declarou que a instituição religiosa precisa intervir de forma direta e imediata para resolver os problemas enfrentados pela sociedade local. Essa afirmação foi feita em um contexto marcado pela pobreza extrema, altos índices de desemprego e pela crescente instabilidade familiar, fatores que têm impedido muitos jovens de construírem seus futuros na região sul da capital Nairóbi.

A diocese, que celebra neste ano seu Jubileu de Ouro após ter sido elevada à categoria de diocese plena em 1976, abrange uma vasta área territorial de aproximadamente 39.000 quilômetros quadrados. Apesar de contar com uma população total de 2,2 milhões de habitantes, apenas cerca de 15 por cento dos residentes são católicos. Diante desse cenário, a liderança eclesiástica mantém uma grande ambição de alcançar toda a população Maasai do país, expandindo suas atividades de evangelização por meio da educação, de programas de apoio aos meios de subsistência e da oferta de serviços em centros de saúde.

A região enfrenta transformações rápidas e desafiadoras, onde novos centros urbanos começam a ocupar terras tradicionalmente utilizadas para o pastoreio, enquanto as mudanças climáticas tornam o ambiente cada vez mais incerto para uma economia dependente da pecuária. O bispo destacou ainda a necessidade de ações no campo político para combater desigualdades, corrupção e miséria, apontando que a Igreja não pode se alienar dessas realidades complexas que afetam a vida do povo.

Um dos focos principais da atenção pastoral é a situação da juventude, descrita não apenas como o futuro, mas como cidadãos e cristãos do presente. Muitos jovens estão desempregados, sem atividades produtivas e vulneráveis ao recrutamento como agitadores pagos em campanhas políticas, sofrendo violência e até mesmo sendo alvejados durante manifestações pacíficas. Em resposta a essa crise de identidade, os próprios jovens solicitaram aos bispos que caminhem ao seu lado, trabalhando juntos para superar essas dificuldades.

Para enfrentar o vazio deixado pelo aumento de separações conjugais e pela incapacidade de muitas famílias em oferecer proteção e estabilidade, a diocese mantém onze centros de serviço distintos. Entre essas iniciativas destaca-se o centro Tone la Maji, gerido pela Comunidade Koinonia, que acolhe crianças e jovens em situação de rua, oferecendo suporte para que retornem aos estudos e reconstruam suas vidas. Outras unidades focam na proteção de meninas contra casamentos precoces e no cuidado de órfãos.

A atuação da Igreja inclui o fornecimento de alimentos, ajuda financeira, celebração de missas e o emprego de pessoal treinado para lidar com saúde mental e oferecer apoio psicológico. O bispo reforçou que o Evangelho possui uma dimensão social inegável e que a instituição não pode se limitar apenas à pregação, devendo estar no coração da realidade sofrida por seus irmãos e irmãs, assumindo a responsabilidade de não se afastar da dor alheia.