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title: Vaticano afirma que não há diálogo real sem combate ao antissemitismo e à islamofobia
url: https://www.faithfulnews.com/pt-br/vaticano-afirma-que-nao-ha-dialogo-real-sem-combate-ao-antissemitismo-e-a-islamofobia
published: 2026-09-21T14:00:57+00:00
language: pt-br
section: Igreja mundial
source: https://www.kn.nl/nieuws/samenleving/vaticaan-geen-echte-dialoog-zonder-strijd-tegen-antisemitisme-en-islamofobie/
organizations: Vaticano, Igreja Católica
publisher: FaithfulNews
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# Vaticano afirma que não há diálogo real sem combate ao antissemitismo e à islamofobia

O Vaticano publicou um novo documento que alerta contra o antissemitismo, a islamofobia, o extremismo religioso e a polarização. O texto foi elaborado por três dicastérios e aprovado pelo Papa Leo XIV em 22 de junho.

Intitulado como Uma jornada de esperança: sessenta anos de diálogo inter-religioso e fraternidade à luz da declaração conciliar Nostra Aetate, o documento foi lançado na quarta-feira, 16 de setembro. Ele marca o 60º aniversário da declaração Nostra Aetate, emitida em 1965 pelo Segundo Concílio Vaticano, que alterou a perspectiva da Igreja Católica sobre religiões não cristãs.

Os autores definem o diálogo inter-religioso como o processo em que diferentes religiões aprendem a viver e trabalhar juntas a partir de suas próprias identidades. O texto enfatiza que tal diálogo é necessário em um mundo marcado por migração, secularização, guerras, violência religiosa e polarização. O objetivo não é criar uma única religião mundial, mas sim contribuir para uma sociedade fraterna capaz de aceitar as diferenças.

O documento destaca que a Nostra Aetate surgiu em parte como resposta ao antissemitismo secular, que atingiu seu ápice no Holocausto. É mencionada a importância do encontro de 1960 entre o Papa João XXIII e o estudioso judeu Jules Isaac, que perdeu a esposa, a filha e o genro em Auschwitz. O novo texto reafirma que a aliança de Deus com o povo judeu é irrevogável e que a solidariedade com esse povo inclui a luta conjunta contra o antissemitismo.

Há também uma atenção explícita à islamofobia, com a advertência de que não se deve associar os muçulmanos ao fundamentalismo ou à violência sem distinção. O texto defende a separação entre o extremismo e os muitos muçulmanos que integram a sociedade pacificamente, expressando apreço por comunidades cristãs que acolhem muçulmanos.

O Vaticano alerta que o diálogo não deve ser confundido com relativismo ou mistura religiosa. A clareza sobre a própria identidade e o respeito mútuo são apresentados como condições para a cooperação. Essa colaboração pode se manifestar em projetos educacionais, sociais ou em crises humanitárias e problemas ambientais.

Por fim, a nota descreve o diálogo inter-religioso como parte da missão de evangelização da Igreja. O texto sugere que esse diálogo ocorre frequentemente na vida cotidiana entre leigos, religiosos e sacerdotes em bairros diversos, e não apenas em encontros internacionais. O documento conclui com um apelo para que as pessoas sejam construtoras de pontes, e não de muros, abandonando a lógica de conquista, hostilidade ou defensividade.
