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title: Missionário italiano devolve dignidade a detentos esquecidos no Brasil
url: https://www.faithfulnews.com/pt-br/missionario-italiano-devolve-dignidade-a-detentos-esquecidos-no-brasil
published: 2026-10-13T19:53:31+00:00
language: pt-br
section: Igreja mundial
source: https://www.vaticannews.va/it/chiesa/news/2026-10/brasile-carcere-missionari-chiesa-america-graziola-prigione-rio.html
organizations: Pastoral Carcerária Nacional, Conferência Episcopal Brasileira, Consolata
publisher: FaithfulNews
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# Missionário italiano devolve dignidade a detentos esquecidos no Brasil

Um missionário italiano, padre Gianfranco Graziola, atua no Brasil há 26 anos para promover a dignidade humana nas prisões. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública do ano passado revelam números trágicos: 3.318 pessoas morreram no sistema carcerário. Dessas, 1.622 óbitos foram classificados como naturais, 477 como violentas, 202 como suicídios, 28 como acidentes e 989 com causas não apuradas. Entre 2016 e 2025, foram registrados 23.942 óbitos no total. O sistema abriga cerca de 800.000 detentos em 2.222 unidades prisionais. A maioria provém de setores socialmente vulneráveis, marcados pela pobreza, racismo e desigualdade no acesso aos direitos. Em 2 de outubro de 1992, na Casa de Detenção de São Paulo, conhecida como Carandiru, ocorreu uma rebelião no pavilhão 9. A Polícia Militar entrou com cerca de 300 agentes e 111 detentos foram mortos. Segundo a lei de execução penal, tudo deveria funcionar perfeitamente; na realidade, tudo é precário. Apesar das promessas, estruturas e serviços são frágeis e os direitos fundamentais são claramente violados, explica padre Graziola do Coordenador Nacional da Pastoral Carcerária Nacional. Para as mulheres, a situação é ainda mais crítica: os programas de prevenção, apresentados pelas direções como destaque, muitas vezes não existem. O cárcere é um fracasso do Estado, mas é um fracasso deliberado: o sistema desempenha muito bem a função punitiva, não a de recuperação e formação. Em diversos relatórios dos últimos anos, a pastoral carcerária demonstrou que o cárcere, na verdade, é um sistema de tortura nos tempos modernos. Entre nós se diz: "A prisão pode ser de ouro e as algemas de prata, mas o cárcere continua sendo cárcere", continua o missionário da Consolata, nascido em Rovereto em 1959, no Brasil há 26 anos. O fracasso do Estado O missionário ressalta que, nacionalmente, seu trabalho é principalmente formativo: visita os estados, prepara agentes pastorais para enfrentar a realidade prisional, que não é simples, e visita prisões locais com eles em nome da Conferência Episcopal Brasileira.

Trabalham muito com justiça reparativa: nos últimos anos formaram mais de mil pessoas. Também fazem incidência política junto a outras realidades da sociedade civil e cuidam, naturalmente, dos familiares dos detentos. Recentemente apresentaram publicamente os resultados de uma investigação intitulada "A pena além da sentença", que demonstra como quem sustenta os custos do cárcere são as famílias e não o Estado, como deveria ser. O objetivo geral do nosso projeto, prossegue o missionário, é a evangelização e a promoção da dignidade humana através da presença da Igreja nas prisões, na perspectiva de um mundo sem prisões. Para quem quer seguir seu caminho? "Para entrar como pastoral oferecemos um curso de formação, que dá as bases para aproximar-se de um mundo que requer abertura de mente, de coração e de espírito. A primeira base é o escuta atento, sem preconceitos nem julgamentos morais: nunca se pergunta qual crime levou a pessoa ao cárcere. É o atitude do bom samaritano, que se curva sobre o ferido, o carrega nos ombros, derrama nas suas feridas o óleo da misericórdia e se cuida dele sem pedir nada. O segundo referência é o discurso de Jesus na sinagoga de Nazaré, que é o seu programa de vida. O terceiro referência é Mateus 25,36: "Ero em prisão e vocês me visitaram". Quanto aos procedimentos, é preciso ser apresentado pela diocese, com documento de identidade, como membro da pastoral carcerária; o sistema penitenciário do estado libera uma credencial anual que permite entrar segundo o calendário combinado com a direção. Quem tem um parente detido não pode entrar com a pastoral: para ele existem outras vias de visita. Os obstáculos burocráticos são da ordem do dia: as esperas e os longos controles retardam a entrada de pessoas e coisas, incluindo objetos religiosos necessários às celebrações".

Os problemas mais graves Entre os problemas mais graves, o padre sinaliza a droga, que traz morte, furtos e roubos. "O cárcere agrava a dependência e frequentemente a pessoa contrai uma dívida impagável, que leva ao suicídio ou à morte por mão de sicários uma vez saída. As facções criminosas são o resultado da encarceramento em massa e da incapacidade do Estado de responder aos desafios sociais com políticas públicas. Pesa não apenas dentro do cárcere, mas ainda mais na sociedade: pensamos no Rio de Janeiro, onde ditam lei e se infiltram em atividades comerciais e grandes empresas. No sistema carcerário, de fato, são um apoio para as famílias dos detentos, que todo ano gastam bilhões para manter em vida seus entes queridos e prover-lhes os bens necessários. Não se pode esquecer um problema fundamental: a militarização da sociedade, o armamento, a institucionalização da violência como garantia de segurança e de uma falsa tranquilidade. É a paz armada, que justifica o dito se quieres a paz, prepara a guerra". Pastorais de escuta O missionário também fala da pastoral do escuta, especialmente entre voluntários e detentos: "No primeiro encontro nos apresentamos, perguntamos o nome, criamos um relacionamento e ouvimos o que a pessoa viveu na semana, na quinzena ou no mês. Há um escuta coletiva, sobre dificuldades comuns, e um escuta pessoal, em que cada um expressa os próprios sentimentos: a falta das visitas familiares, da assistência legal, das necessidades essenciais, e às vezes denuncia formas de tortura física, moral ou psicológica".
