Igreja mundial · 27 de setembro de 2026
Também publicado em Deutsch
Formais de cristãos acham mais difícil perdoar, aponta pesquisa da American Bible Society
A pesquisa da American Bible Society (ABS) divulgada em 25 de setembro de 2026 indica que cristãos que adotam uma prática religiosa mais formal enfrentam maior dificuldade para perdoar a si mesmos e aos outros. O estudo, conduzido entre 8 e 27 de janeiro, entrevistou 2.649 adultos nos Estados Unidos e revelou que 38 por cento desses cristãos formais relataram dificuldade em perdoar a si mesmos, enquanto 30 por cento dos chamados "cristãos de fachada" e 23 por cento dos cristãos fervorosos relataram a mesma dificuldade. Em relação ao perdão ao próximo, 40 por cento dos cristãos de fachada e 39 por cento dos cristãos formais afirmaram que continuam a pensar mal das pessoas que os tratam injustamente, contra 24 por cento dos cristãos fervorosos. Apenas 10 por cento dos cristãos formais acreditam que não podem receber o perdão divino por algum ato, número que cai para 11 por cento entre os cristãos de fachada e 3 por cento entre os fervorosos. A pesquisa também mostrou que 19 por cento dos cristãos formais acreditam que não podem obter o perdão de Deus por certas ações, enquanto 11 por cento dos cristãos de fachada e 3 por cento dos fervorosos compartilham dessa visão. Entre os grupos de engajamento bíblico, aqueles com pontuação de 100 ou mais no "Escala de Engajamento Bíblico" relataram menor dificuldade para perdoar a si mesmos (25 por cento) em comparação com os de pontuação entre 70 e 99 (30 por cento) e os abaixo de 70 (30 por cento).
A dificuldade em perdoar o próximo foi mais pronunciada entre os desconectados da bíblia (48 por cento), sendo quase o dobro da taxa observada entre os altamente engajados (21 por cento). A escala de engajamento também revelou que 14 por cento dos de nível intermediário (70‑99) acreditam que não podem receber o perdão divino, contra 10 por cento dos altamente engajados e 5 por cento dos desconectados. A ABS interpretou esses dados como indícios de que posições intermediárias podem limitar a compreensão plena do amor divino, focando excessivamente em padrões de comportamento. O relatório aponta ainda que o perdão é um elemento central do evangelho e beneficia tanto o indivíduo quanto a comunidade. Análises demográficas indicam que os millennials (36 por cento) e a geração Z (35 por cento) são os mais afetados pela dificuldade de perdoar a si mesmos, enquanto a geração X (28 por cento) e os baby boomers (21 por cento) apresentam taxas menores. No perdão ao próximo, as gerações X e millennials registraram as maiores dificuldades (43 por cento cada), seguidas pela geração Z (36 por cento) e os baby boomers (35 por cento). As mulheres (33 por cento) relataram maior dificuldade para perdoar a si mesmas do que os homens (26 por cento), embora a diferença entre gêneros seja menor no perdão ao próximo (41 por cento dos homens versus 38 por cento das mulheres).
Apenas 12 por cento dos homens e 8 por cento das mulheres acreditam que não podem receber o perdão divino. O estudo correlacionou a dificuldade em perdoar com indicadores de bem‑estar: quem tem dificuldade em perdoar a si mesmo apresenta pontuação média de 7,4 no índice de "Human Flourishing" contra 6,5 de quem não tem dificuldade, e pontuação de 13,5 na escala de solidão contra 10,6. Níveis mais altos de estresse (14,4) também foram observados entre quem luta para perdoar a si mesmo, comparado a 6,9 entre os que não enfrentam essa barreira. A pesquisa conclui que o perdão traz benefícios mensuráveis em felicidade, redução de estresse e sensação de pertencimento. John Plake, diretor de inovação da ABS e editor do relatório "State of the Bible 2026", afirmou que os dados demonstram que quem mantém rancor sofre com o peso emocional, enquanto o perdão oferece libertação. Ele sugeriu que líderes e congregações utilizem esses achados como ponto de partida para promover ambientes de perdão mais saudáveis dentro das comunidades eclesiais.