Igreja mundial · 18 de setembro de 2026
Bispos do México exigem justiça e fim da violência
A Conferência do Episcopado Mexicano emitiu um comunicado nesta segunda-feira, 15 de setembro de 2026, no qual pede às autoridades do país que garantam a liberdade como um direito inalienável, e não como uma concessão. O texto, intitulado Chamados à liberdade, foi publicado em vésperas das celebrações do 216º aniversário do início da Independência do México. Os bispos exigiram também o fim da violência, a responsabilização pelos desaparecidos e a proteção da liberdade de expressão. O documento destaca que o país chega a 2026 com avanços construídos em direitos humanos, mas alerta para feridas abertas que ainda afetam a sociedade. Entre os problemas citados estão o crime, a impunidade, a desigualdade e o deslocamento forçado de comunidades inteiras. A cúpula eclesiástica fez um apelo direto a quem governa em todas as esferas, pedindo que a segurança e a justiça deixem de ser apenas promessas e que as vozes das vítimas sejam ouvidas.
O comunicado também instou a população a amar o México e a cuidar dos setores mais vulneráveis da sociedade. O México enfrenta uma crise profunda de violência, marcada pela presença do crime organizado. A cifra de pessoas desaparecidas supera os 130.000 casos, segundo estimativas do Instituto Mexicano de Direitos Humanos e a Democracia. Esse número mantém os coletivos de familiares e a sociedade civil em constante exigência de justiça. De olho no novo processo eleitoral de 2027, o Episcopado pediu aos atores políticos que mantenham um debate público à altura do povo. O debate deve respeitar a pluralidade e a liberdade de expressão, além de garantir a atuação e a proteção dos jornalistas. A instituição reivindicou o direito fundamental à liberdade religiosa e de consciência ao evocar o centenário do Conflito Religioso, também conhecido como Guerra Cristera, que ocorreu entre 1926 e 1929. Os bispos qualificaram esse choque como fratricida e afirmaram que a lição deixada é que a restrição de liberdades fere a nação inteira.
A Igreja católica sustentou que não é hóspede no país, mas parte do seu tecido social. Essa participação se dá por meio de comedores, centros de direitos humanos, abrigos para migrantes e tarefas de reconstrução da paz. A instituição afirmou que busca denunciar a situação do país sem ódio. O pronunciamento ocorre em um cenário onde a hierarquia católica busca influenciar a agenda nacional diante das eleições iminentes de 2027.