Igreja mundial · 6 de novembro de 2026
Acampamento de Teologia e Cerveja reúne cristãos progressistas em busca de identidade e cura
O Acampamento de Teologia e Cerveja reuniu neste ano um grupo de cristãos progressistas que buscam traçar um caminho intermediário entre o nacionalismo cristão e o secularismo antirreligioso. Os participantes, descritos como entusiastas da teologia, utilizaram o evento para refletir sobre sua identidade religiosa e para processar traumas vivenciados em contextos evangélicos anteriores. O encontro ocorreu na Igreja Presbiteriana Pine Ridge, localizada em Kansas City, no estado do Missouri, servindo como um espaço seguro para diálogos intensos e para a reconstrução de uma espiritualidade baseada no amor e na justiça social.
Os organizadores e participantes expressaram a crença de que a igreja cristã desviou-se de seus princípios originais no quarto século, ao aliar-se ao imperador Constantino. Eles argumentam que a civilização ocidental foi deformada pelo imperialismo colonial e pela supremacia branca. Além disso, criticaram a tendência histórica de católicos e protestantes substituírem a ética do amor de Jesus por uma espiritualidade autoritária que favorece os poderosos. O grupo enfatiza o diálogo inter-religioso e destaca os pontos em comum entre as grandes religiões do mundo, afirmando adorar um Deus definido pelo amor apaixonado por toda a criação. Acreditam que Deus convida os seres humanos a lutar contra o ódio, a amargura e a dureza de coração, integrando o testemunho bíblico com a melhor ciência disponível.
Muitos dos presentes são ex-evangélicos que deixaram suas comunidades religiosas originais, mas ainda não encontraram congregações que reflitam seus valores atuais. Eles relatam sentir-se como filhos repudiados por seus pais espirituais até chegarem ao acampamento liderado por Tripp Fuller. Diversos palestrantes compartilharam experiências de trauma, incluindo a luta de pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e queer em congregações agressivamente homofóbicas. Mulheres com formação teológica e chamado pastoral relataram ter sido repreendidas e silenciadas pelas próprias igrejas que as formaram. A ausência de música distintamente cristã no evento foi notada, embora um grupo improvisado tenha liderado a execução de hinos familiares, proporcionando um momento de cura emocional para os participantes.
O historiador da igreja Bill Leonard alertou que a inerrância bíblica está levando a comunidade para direções indesejadas, distinguindo entre igrejas que creem na Bíblia e aquelas que creem no evangelho. Dianna Butler Bass declarou que o evangelho transforma vidas e o mundo. Cornel West insistiu que o amor de Deus não é sentimental, mas aquele que se coloca ao lado dos oprimidos. Ilia Dleo, teólogo católico, definiu o evangelho como a vivência plena de Deus nas pessoas e das pessoas em Deus. Jemar Tisby questionou a distância cultural e a falta de diversidade, observando que a maioria dos participantes era branca e tinha cerca de cinquenta e cinco anos de idade. Ele perguntou se havia uma via de mão dupla ou se ainda se esperava que pessoas de cor se adaptassem ao espaço existente. O custo de mil dólares para a entrada, viagem e hospedagem também foi citado como uma barreira para a participação de jovens e pessoas de baixa renda.