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Igreja mundial · 20 de outubro de 2026

A Igreja de Madrid reafirma que ninguém é estrangeiro e promove integração plena de migrantes

Interior of ancient stone church ruins with a metal cross
Julia Taubitz / Unsplash

A Igreja de Madrid realizou a sua segunda jornada dedicada às boas práticas com migrantes e refugiados, um evento organizado para fortalecer a acolhida e a integração dessas pessoas nas comunidades cristãs da capital espanhola. Durante o encontro, líderes eclesiásticos enfatizaram que, no âmbito da instituição religiosa, a origem nacional, a cor da pele ou a situação administrativa de regularização são fatores irrelevantes, pois todos são considerados irmãos e irmãs com dignidade inquebrantável. A iniciativa buscou transformar em realidade concreta o princípio de que a Igreja oferece um abraço divino àqueles que foram obrigados a deixar suas terras natais, independentemente de suas circunstâncias pessoais ou legais. O vigário de Pastoral destacou a visão do papa Leão XIV sobre as migrações, descrevendo-as como o exercício do direito à esperança. Foi defendido que ninguém deve ser privado das possibilidades de uma vida melhor, pois isso é inerente à dignidade humana. A partir dessa premissa, houve um clamor por vias seguras e regulares, além de processos que garantam os direitos das pessoas deslocadas forçosamente. Foram citadas situações críticas como a de Ceuta, onde ocorre a coisificação dos migrantes, interesses alternativos que prejudicam os deslocados, má gestão administrativa e a negação do direito à esperança. A discussão abrangeu tanto o direito de migrar quanto o direito de não precisar migrar, este último exigindo a construção de um mundo mais fraterno e justo que enfrente o deterioro ambiental, os conflitos bélicos e a busca por melhores condições de vida. A integração dos migrantes foi apresentada não apenas como acolhida, mas como concessão de membros com absoluto pleno direito, animando-os a assumir o protagonismo que merecem dentro das comunidades cristãs.

Essa diretriz foi reforçada pela última regulamentação sobre os conselhos pastorais, que exige a representação de pessoas deslocadas, visando a corresponsabilidade em absoluta igualdade de condições. O delegado de migrações sublinhou a importância da Palavra de Deus na acolhida ao forasteiro, ecoando palavras papais proferidas em diversos locais que ressaltam a necessidade de estender a mão a quem chega, muitas vezes ferido e despojado de tudo, mas nunca de sua dignidade. O Plano Pastoral da Igreja de Madrid para o curso de dois mil e vinte e seis a dois mil e vinte e sete aposta em uma atenção prioritária à pastoral com migrantes, utilizando iniciativas como a mesa da hospitalidade e tendo como base a espiritualidade da sinodalidade. Para avançar nesse caminho, foi considerado fundamental o trabalho transversal entre as diversas delegações que compõem a Igreja de Madrid, incluindo Juventude, Catequese, Família, Trabalho, Ensino e Cáritas. O encontro serviu como oportunidade para compartilhar boas práticas, logros, dificuldades e retos enfrentados no dia a dia. Participantes reunidos em grupos trocaram exemplos concretos que foram posteriormente apresentados a todos, discutindo situações que desafiam a Igreja e a sociedade e que demandam mudanças específicas para respeitar a dignidade de todos os seres humanos. O objetivo é abrir espaços, promover a transversalidade na pastoral paroquial e fomentar uma educação baseada na pedagogia do amor, do cuidado e da esperança, criando laços de encontro e fraternidade que humanizem e superem o desarraigo e o racismo. Diversas experiências de boas práticas já em execução foram compartilhadas durante a jornada. O espaço sociocomunitário do arciprestado de San Diego, localizado no distrito de Puente de Vallecas, um dos bairros com menos recursos de Madrid, gera espaços de encontro onde migrantes compartilham dificuldades e alegrias, com protagonismo das mulheres e metodologia de trabalho horizontal.

Na paróquia Nossa Senhora de África, em Carabanchel, a catequese é marcada pela realidade migrante, com várias catequistas migrantes, buscando ouvir crianças e famílias. A paróquia de Santa Paula, em Canillas, realiza a mesa da hospitalidade com ampla participação de diferentes grupos, fomentando a convivência entre migrantes africanos e acolhedores. Jovens da paróquia Santa Maria Mãe de Deus, em Tres Cantos, organizam campamentos de verão para acompanhar migrantes recém-chegados, inicialmente em Melilla e posteriormente nas Ilhas Canárias, buscando sensibilizar a juventude e protegê-la de mensagens de ódio e notícias falsas nas redes sociais, além de oferecer assessoria jurídica. O evento concluiu com um momento de oração no qual foram apresentados a Jesus os rostos dos migrantes e as realidades que vivem, frequentemente marcadas pelo sofrimento. A reunião reforçou o compromisso de criar espaços que superem situações de exclusão e promovam uma sociedade enriquecida pelas atitudes e formas de viver diferentes trazidas pelos migrantes. A ênfase permaneceu na necessidade de gestos concretos que criem laços de fraternidade e garantam que todos tenham a possibilidade de viver com a dignidade que merecem, em um mundo sem fronteiras espirituais ou sociais.